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CD Águas Memórias no Estado de Minas

Saudades da roça - Matéria de Eduardo Tristão Girão para o jornal Estado de Minas (16/07/2013)

Conversa Ribeira atualiza a música caipira em seu segundo disco, 'Águas memórias'

 

Impressiona o cuidado e a delicadeza com que o grupo Conversa Ribeira atualiza a música caipira em seu segundo disco, Águas memórias. Andrea dos Guimarães (voz), João Paulo Amaral (viola caipira) e Daniel Muller (piano e acordeom) mesclam elementos tradicionais a experimentos harmônicos e de arranjo ao longo de repertório de 14 músicas, entre releituras de Tião Carreiro, Raul Torres, Milton Nascimento e Lupicínio Rodrigues e três composições próprias.

 

“Somos nascidos e criados em cidades do interior e a relação com a música caipira, antes de tudo, nos traz muito afeto”, diz Andrea dos Guimarães. “Isso nos estimula, além do fato de descobrirmos a riqueza, a diversidade e o potencial expressivo presentes nessa música de raízes tão antigas. Essa releitura foi um processo que passou também por nossas outras influências musicais, vindas de dentro e de fora do ambiente universitário.”

Não que o grupo ache que a música caipira precise de reforma, longe disso. “Existe um processo orgânico, vivo e natural na trajetória da música caipira e de outras músicas tradicionais, que pode levá-la a transformações e ao surgimento de outras vertentes”, continua Andrea. “Dentro desse contexto, podemos contribuir elaborando arranjos à nossa maneira.” Milton Nascimento, Rolando Boldrin, Almir Sater e Renato Teixeira são referências, bem como música instrumental e erudita. Na base está a música caipira, claro.

Gravado em dezembro, o disco difere do trabalho anterior principalmente pelo fato de conter músicas assinadas por integrantes do grupo – Conversa ribeira, Ventania (que não tem letra, mas vocalises) e Joia na vereda. O repertório é dominado por releituras, como as de Morro velho (Milton Nascimento), Minha vida (Carreirinho e Vieira), Chico mulato (Raul Torres e João Pacífico), A estrada do sertão (João Pernambuco, Wilson Rodrigues e Hermínio Bello de Carvalho), A coisa tá feia (Tião Carreiro e Lourival dos Santos), Felicidade (Lupicínio Rodrigues) e Alegre menina (Dori Caymmi e Jorge Amado).

Apesar de o arranjo ser um dos pilares do trabalho do grupo, Andrea não descarta a hipótese de gravar um disco totalmente autoral. No momento, o grupo está montando a agenda de shows, até então restritos ao interior paulista. Ano passado, tocou arranjos próprios com a Orquestra Municipal de Jundiaí e regência de Cláudia Feres na mesma cidade, espetáculo que deverá ser levado a outros estados. Também está em andamento projeto com a cantora Mônica Salmaso.

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